TATIANA BERTA Psicóloga

September 6th, 2011 by admin No comments »

Atendimentos em São Paulo: Rua Bela Cintra, 968 – Próximo à Av. Paulista (F: 11 8254.6237)

 

Seja bem-vindo ao website da Psicóloga Comportamental e Cognitiva Tatiana Berta!

Nosso objetivo é compartilhar com os interessados na área de saúde mental informações sobre Psicologia, Psicoterapia, Terapia Cognitivo Comportamental e a prática clínica. Aqui, você poderá ter acesso a temas como problemas de relacionamento, depressão, dificuldades para dormir, ansiedade, estresse, pânico e fobias, além de orientações para pais sobre o desenvolvimento infantil.


Como a Terapia Comportamental e Cognitiva auxilia nos transtornos psicológicos?

A Terapia Comportamental e Cognitiva objetiva auxiliar o paciente na mudança de comportamentos disfuncionais, que foram aprendidos e tornaram-se automáticos, trazendo sofrimento no contexto presente. No ambiente terapêutico, por meio dos procedimentos próprios da abordagem e do estabelecimento de uma relação de confiança mútua com o paciente, o terapeuta comportamental procura favorecer a identificação e avaliação das variáveis envolvidas no comportamento, favorecendo mudanças, a partir do treino e consequente aprendizagem de outras formas de agir, que resultem em qualidade de vida.

Pós-graduada (Especialista) em Terapia Comportamental e Cognitiva pela Universidade de São Paulo (USP), a Psicóloga Tatiana Berta atende a crianças, adolescentes, adultos e casais com diferentes queixas, tais como:

 

Dificuldade de relacionamentos; Ansiedade; Depressão; Fobias; Síndrome do Pânico; Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC); Transtorno Bipolar; Transtornos Alimentares (Anorexia/Bulimia); Insônia; Distúrbios Alimentares; Dificuldades de Habilidade Social; Baixa Assertividade; Ciúme; Culpa; Sentimento de Inferioridade; Doenças Psicossomáticas e Somatização; Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH); Angústia/Medo; Dificuldades Sexuais; Necessidade de Orientação à Pais (Psicoeducação); Perda (Separação e Luto); Timidez / Fobia Social; Estresse Pós-Traumático; Medos: de dirigir, de voar etc.


Clicando em http://tatianabertapsicologa.com/?page_id=195 você poderá assistir às participações da Psicóloga  na mídia e conhecer mais sobre nosso trabalho.

Para outras informações ou agendamento de consultas, ligue para (11) 8254.6237 ou envie um email para psico.tati@yahoo.com.br


Consultório: Rua Bela Cintra, 968/cj.32 (Metrô Consolação, próximo à Av. Paulista) – São Paulo/SP

 

“O material do site é informativo e não substitui a terapia realizada pelo Psicólogo.”


Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP Principal (06/93349)

São Paulo/SP

Consumo excessivo: necessidade ou transtorno de comportamento?

May 6th, 2012 by tatiberta No comments »

Até que ponto consumir é uma necessidade?

 

Quem é que nunca se sentiu tentado a comprar tal celular ou usar tal grife para ser visto como alguém que “está na moda” ou “dentro de determinado padrão”? O problema, no entanto, não é ceder ao desejo eventual de comprar, mas fazer disso uma necessidade real, o que acaba por afetar a forma de colocar-se no cotidiano, quando não é possível adquirir o que se colocou como obrigação. Isso sem contar os problemas práticos, como ver a casa abarrotada de coisas que não tem uma real utilidade e a conta bancária comprometida.

Muitas vezes, nos deparamos com dificuldades em lidar com as frustrações, ou seja: com a necessidade de encarar o espaço existente entre algo idealizado e o que aquilo que é, de fato, possível de ser realizado. Dificuldades como a perda ou falta de algo do qual acreditam necessitar, podem levar algumas pessoas a desenvolverem hábitos alternativos e nem sempre adaptados, dentre os quais podemos citar o consumo excessivo de bens ou produtos ou até mesmo o gosto pelos jogos ou a dependência de um relacionamento. Comprar excessivamente pode ser um evento, interpretado por nosso cérebro como algo que traz um alívio momentâneo, possível e fácil de ser adquirido: uma espécie de “recompensa”, que ativa justamente as áreas responsáveis pelas sensações de bem-estar em nosso complexo sistema de funcionamento. No entanto, tal atitude pode tornar-se frequente e desproporcional, tornando-se um sinal de dependência, trazendo prejuízo e sofrimento por comprometer outros aspectos, como relacionamentos e orçamento familiar, por exemplo.

O “comprar descontroladamente” pode ser classificado na categoria dos “Transtornos de Controle de Impulsos não Especificados” pelo DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Um dos motivos que leva ao consumismo exagerado é a exposição constante e inevitável às estratégias do comércio, que acaba por determinar o que seria importante ou conveniente para a pessoa. Um indivíduo com baixa autoconfiança poderá ceder mais facilmente às tentações do consumo, uma vez que pode possuir autorregras de que é impossível viver sem a aprovação social. É comum encontrarmos pessoas que sofrem por não se sentirem parte integrante de um grupo determinado, ao qual gostariam de pertencer. Muitos chegam a fazer dívidas para comprar objetos ou bens materiais que não seriam realmente necessários por alimentarem a “crença” de que se tornariam mais felizes após adquiri-los. Como conseqüência, além de terem que encarar o fato de que a felicidade não veio como conseqüência do gasto, ainda precisam, muitas vezes, arcar com os custos desproporcionais ao orçamento próprio.

Quanto maior a expectativa de ser aceito socialmente, mais elevado o padrão de auto-exigência, o que pode acarretar em mais sofrimento, pois no que se refere a relacionamentos e aceitação social, não é possível ter o controle sobre o curso dos acontecimentos, uma vez que ser aceito não depende exclusivamente da ação individual ou vontade própria, mas de uma série de variáveis, dentre as quais também da vontade do outro, que é parte da relação.

No entanto, pelo imediatismo imposto em nosso cotidiano, termina-se por aprender que é possível que sejam supridas, ainda que momentaneamente e de forma disfuncional, algumas lacunas provocadas pela falta do que foi interpretado como necessidade. Muitas vezes, pode parecer bem mais fácil e confortável aceitar um parcelamento interminável no cartão de crédito, a fim de que seja adquirida a bolsa mais cara e desejada, do que começar a entender quais são as reais necessidades. Cuidar-se implica em observar o que precisa ser mudado e dispender a energia necessária na modificação dos comportamentos que geram desgaste. O ser humano tornou-se imediatista, buscando resultados mais fáceis e com isso acaba, muitas vezes, criando armadilhas como ceder ao alívio momentâneo proporcionado por algumas atitudes que, embora pareçam a solução dos problemas, podem trazer dependência e sofrimento. Após a maratona de compras, instalam-se as culpas, o medo e a necessidade real de reparar um dano que poderia ser evitado, caso houvesse o treino de colocar o autocuidado como prioridade nas relações.

 

Fonte Consultada: DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed. texto revisado)

 

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP  (06/93349)

São Paulo/SP


 

Amor e Limites: equilíbrio necessário

April 24th, 2012 by tatiberta No comments »

Aceitar as frustrações da vida, muitas vezes, é tarefa difícil para adultos inseguros e com um padrão de baixa tolerância. Reconhecer as próprias fragilidades e compreender que nem sempre as consequências que desejamos são as que, de fato, ocorrerão confere autoconfiança. Um adulto com características de autoconfiança possivelmente teve mais oportunidades para o desenvolvimento destas no decorrer de sua vida do que outro que possui dificuldades em aceitar que a maioria dos resultados depende também da ação do outro.

Lamentavelmente, o que se vê, com frequência, nos consultórios psicológicos são pais com dificuldades de darem limites aos filhos, por medo de perderem seu amor ou admiração. Na tentativa de não os frustrarem, muitas vezes, tentando compensar a própria ausência na função de cuidadores, oferecem modelos inseguros às crianças, que acabam aprendendo, desde cedo, a manejar tais fragilidades. Nem sempre isto indica que a criança se desenvolverá com um padrão de conduta disfuncional, próprio de um Transtorno de Comportamento, mas vale salientar que a falta de modelos adaptados de interação pode gerar muitos prejuízos na construção das características individuais. Uma criança que é criada sem limites, torna-se um adulto que espera receber do mundo não somente o que precisa, mas o que quer (mesmo com sofrimento) e com pouca tolerância a frustrar-se. Esta criança, desde cedo, poderá estar aprendendo a manejar os contextos, nem sempre de forma adaptada e funcional, no sentido de conseguir o que deseja.

Vale destacar, portanto, que ensinar os filhos a se frustrarem desde cedo é um treino necessário para uma vida de mais qualidade, pois nem sempre conseguimos o que queremos. Dizer “não” à criança, quando é preciso, faz parte desta tarefa. Na medida em que vão se comunicando com o mundo, as crianças vão tendo a aprovação ou desaprovação de suas atitudes pelas pessoas com quem convivem e vão, desta forma, aprendendo a selecionar os comportamentos que trazem mais benefícios. Os pais ou cuidadores, ao aprenderem a lidar adequadamente com comportamentos disfuncionais dos filhos, como os de birra (choro, gritos, jogar-se ao chão), os auxiliam a lidarem com situações na vida em que nem sempre falar mais alto ou ter crises explosivas resultará em consequências positivas. Aprender a colocar as atitudes inadequadas dos filhos em extinção, ou seja: favorecer com que estas comecem a dar lugar a outras mais adequadas não é tarefa fácil e pode requerer, além de treino e entendimento, uma  boa dose de paciência, uma vez que variar os comportamentos (mesmo os inadequados) na tentativa de obter um retorno positivo é parte do ser humano. Pais com alto grau de desgaste, relacionados a diversos fatores como trabalho e à própria relação conjugal, geralmente tem mais dificuldade para consequenciar de forma adequada os momentos de “teste” de seus pequeninos, gerando, muitas vezes, insegurança nestes, que ora podem receber a aprovação e ora a desaprovação, dependendo do “estado de humor” de quem os está educando.

Ninguém é super-herói, embora a maioria de nós, muitas vezes, se empenhe para ser, já que o mundo nos exige uma capacidade que, muitas vezes, coloca em teste nossos limites para vivermos (por isso, o desgaste).  Para que uma criança cresça, sentindo-se segura e conquistando, a cada dia, a autoconfiança necessária para que se torne um adulto feliz, precisa sentir-se amada, independentemente de ter suas atitudes, algumas vezes desaprovadas. É necessário separar o que é uma atitude e o que é um conceito a respeito da criança: uma criança não é “feia” porque fez “algo feio” e não precisa criar um autoconceito negativo a respeito de si própria porque errou, tão pouco obrigar-se a um padrão de acertos que não poderá cumprir sempre, e que será causa de ansiedade.

Educar os filhos é um ato de amor, sobretudo por implicar em renúncias necessárias. Antigos conceitos precisam ser abandonados, na tentativa de que os pequeninos sofram menos os efeitos das dificuldades da vida. No entanto, amar e dar limites são comportamentos que caminham juntos, pois os filhos aprendem não somente por meio das instruções recebidas, mas pela observação dos principais modelos de que dispõem. Aceitar as próprias limitações nos auxilia a aumentar nossas chances de obter mais ganhos na vida. Portanto, reconhecer as dificuldades, sobretudo no contexto familiar com relação aos filhos, pode ser elemento fundamental para uma mudança positiva para todos os envolvidos. Neste caso, o auxílio de um profissional que possa analisar e favorecer as mudanças comportamentais necessárias pode ser, sem dúvida, um importante recurso a ser disponibilizado.

 

“Quando os pais descumprem, sucessivamente, as regras por eles estabelecidas, ensinam aos filhos três atitudes indesejáveis: (1) que as regras não são para serem cumpridas; (2) que a autoridade (pais e professores) pode ser desrespeitada; além de (3) ensinar a manipulação emocional… Aprender que as regras podem ser descumpridas leva jovens a não aceitarem normas sociais.” (GOMIDE, 2009)


Para saber mais sobre “Regras e Limites” sugere-se a leitura de “Pais Presentes Pais Ausentes”, de Paula Inez Cunha Gomide, publicado pela Editora Vozes, em 2009.

 

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP Principal (06/93349)

São Paulo/SP

 

 

Como o medo da rejeição afeta os relacionamentos?

March 15th, 2012 by tatiberta No comments »

 

O sentimento de rejeição é talvez um dos piores que alguém pode experimentar e possui uma relação direta com idéias de “não ser aceito”, “não ser desejado” ou “não ser amado”. A idéia de rejeição está ainda ligada ao desamparo. O ser humano, com toda sua complexidade, precisa do acolhimento do outro, desde o momento de sua concepção, a fim de tornar possível seu desenvolvimento. Se este outro não o aceitar, proteger e cuidar, a existência fica, então, comprometida. Quanto mais sentir-se aprovado, desejado e amado, mais seguro e feliz o indivíduo se desenvolve, o que favorece a construção de sua autoestima, ou seja: do conceito que fará de si próprio. Este dado é importante, pois nos leva a refletir sobre o papel do outro naquilo que nos caracteriza como seres únicos.

Quando não nos sentimos aceitos ou amados, pode haver um comprometimento da visão que temos de nós mesmos e, consequentemente, da forma como nos colocamos nas relações, ou seja: no mundo. Indivíduos com comportamentos inseguros podem ter convivido com cuidadores (e aqui incluem-se pais, parentes próximos, babás e todo aquele que teve um papel importante na vida da criança) que ora os reforçavam positivamente pelas suas atitudes ora os puniam severamente, comprometendo, portanto, a formação de um autoconceito positivo.

Em dicionários, observam-se definições para o termo “rejeição”, relacionadas ao “ato ou efeito de não aprovar”. Uma mãe (ou cuidadora) que fala que a filha é “linda” quando faz coisas que a agradam, mas que também afirma que a criança é “feia” porque sujou sua roupa, por exemplo, pode contribuir, desta forma, para que a criança crie um autoconceito frágil, que a faz ter dúvidas sobre sua aceitação pelo outro. Assim, torna-se necessário separar o que é somente um comportamento daquilo que já é um julgamento do indivíduo: deveria ser possível, neste caso, lembrar à criança que continua “linda”, amada ou qualquer outra qualificação, mas que fez algo que não foi bom e que precisa ser observado. Isso não significa desconsiderar os erros, mas enfatizá-los, de forma a ensinar novas possibilidades de ação e não apenas permitir que se tornem motivo de vergonha ou mal-estar.

Pesquisas recentes apontam que a dor provocada pela rejeição ativa as mesmas regiões cerebrais que atuam no envio das sensações de dor. Podemos comparar a dor deste sentimento a de uma queimadura, por exemplo. Quando se instalam registros negativos em nossas memórias, torna-se provável que eventos futuros, com elementos semelhantes aos vividos na experiência passada, desencadeiem sintomas físicos de ansiedade, o que seria uma tentativa interna de sinalização de perigo, ainda que não exista uma ameaça real.

Nas relações amorosas, o sentimento de rejeição é sempre temido, sobretudo no início do relacionamento, quando buscamos a aceitação do parceiro para que se estabilize, de fato, a relação. No término do relacionamento, o esperado é que as pessoas entendam que a ruptura foi necessária e que sejam capazes de tocarem suas vidas, porém para as pessoas mais inseguras e com autoestima fragilizada, é muito mais dolorosa e difícil a superação. Superar uma rejeição amorosa seria equivalente a vencer um vício, isto porque a presença da pessoa amada ativa mecanismos cerebrais de recompensa e sua falta, portanto, pode trazer sinais de abstinência, como irritabilidade e depressão.

Para enfrentar o medo de rejeição, uma vez que relacionar-se significa arriscar-se, permitindo-se acertar ou errar, uma boa forma de lidar com a possibilidade da frustração seria diminuir a expectativa que se cria em relação ao outro, entendendo que decepcionar-se faz parte da vida, o que é necessário como aprendizado para experiências futuras. Idealizar é importante, pois nos movimenta em busca de nossos objetivos, no entanto é necessário que se aceite o que é possível. Em qualquer relacionamento, a atuação de um dos parceiros é limitada, o sucesso da relação depende também da ação da outra parte.

É importante lembrar que o fortalecimento da autoestima nos oportuniza melhores relações e, portanto, uma vida com mais qualidade. Entender que é possível cuidar do outro sem que as próprias necessidades sejam olhadas, é escolher fazer a manutenção de uma situação disfuncional, que só traz sofrimento. Proporcionar-se ajuda profissional adequada, nos momentos em que a mudança necessária está sendo difícil de ser realizada, faz parte do processo de fortalecimento individual e, portanto, do aprendizado de novas formas de se colocar no mundo, por mais difícil que tenha sido a história da formação de cada um.

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP Principal (06/93349)

São Paulo/SP

 

* O artigo expressa opiniões da autora e não substitui a terapia realizada em consultório.

Ciúme: qual é o limite?

March 8th, 2012 by tatiberta No comments »

 

 

“O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente.” (Rubem Alves)

“De todas as enfermidades que acometem o espírito, o ciúme é aquela a qual tudo serve de alimento e nada serve de remédio.” (Michel de Montaigne)

 

Recentemente, fui convidada a falar sobre o “ciúme”: comportamento que, tantas vezes, causa sofrimento, desconstruindo as relações e que, no entanto, se mantém como padrão, em diferentes contextos. Eventualmente, somos levados a esta emoção comum, porém, em alguns casos, o que seria aceito vai se modificando e acaba por tornar-se um padrão disfuncional de atitudes, conhecido como “ciúme patológico”. As duas citações acima poderiam ilustrar, de certa forma, as diferentes manifestações do ciúme propriamente dito e daquele que pode ser considerado como nocivo ou doentio.

Podemos entender por ciúme o conjunto de emoções desencadeado pela ameaça da perda (real ou imaginária) do parceiro ou da estabilidade da relação. Estudos indicam que o comportamento de “sentir ciúme” fez parte da evolução humana, com a finalidade de “solucionar um problema recorrente de sobrevivência e reprodução: a ameaça real da traição” (Buss, 2000). A manutenção da espécie, portanto, seria facilitada quando o comportamento reprodutivo ficasse limitado ao grupo comum, no caso, aos parceiros escolhidos. Desde tempos remotos até os dias atuais, este comportamento tornou-se uma forma de adaptação necessária à sobrevivência, pois sempre existe a possibilidade de que o outro: o “diferente”, possa servir de ameaça. Sob este ponto de vista, sentir ciúme passou a ser algo aceito e até esperado nas relações.

Além de comportamento selecionado para a sobrevivência da espécie, o ciúme é um comportamento cultural, uma vez que toda sociedade é marcada, de alguma forma, por ele. Há quatro séculos, Shakespeare, em sua obra Otelo: o Mouro de Veneza, já se reportava ao conflito, levantando, por meio de seus personagens, questões como preconceito e ciúme. O personagem central, mesmo com todas as indicações de amor dadas pela esposa, termina por tirar-lhe a vida, motivado pela idéia obsessiva de traição. Depois disso, ciente da fidelidade da esposa, comete suicídio. Fica claro que o comprometimento da autoestima do personagem: muito vulnerável ao julgamento das outras pessoas e, portanto, inseguro em suas atitudes, contribui para o desfecho da história. Final trágico, no entanto, não tão diferente daquilo que, muitas vezes, ocorre nos tempos atuais.

De forma geral, este sentimento poderia ser entendido, erroneamente, como altruísta, por estar direcionado ao outro, mas, na verdade, é  egocêntrico: pois o indivíduo, voltado para si próprio, deseja manter a necessidade que criou, seja real ou imaginária. Sem querer, muitas vezes, o parceiro termina por incentivar um padrão que pode tornar-se perigoso para a relação, quando com palavras ou outras atitudes, do tipo “Você fica lindo quando fica ciumento”, ou “Adoro ver você irritada”, acaba fazendo com que a freqüência das tentativas de controle aumente, levando a conflitos constantes e à desestruturação da relação. Pode ainda ser motivo de desgaste pela necessidade de que as pessoas desenvolvam alternativas para manutenção do interesse do outro, a fim de que não sejam abertas possibilidades para que o desconhecido, de fato, comprometa a estabilidade da relação.

Quando nos deparamos com atitudes de descontrole emocional, como agressividade ou tentativas constantes de controlar o parceiro, causando prejuízos, muitas vezes irreparáveis, torna-se evidente que tal padrão já ultrapassou o limite do aceitável, passando a patológico, o que pode ser considerado uma ameaça à vida. Exemplo disso pode ser o que acompanhamos estarrecidos de nossas casas, no caso da adolescente “Eloá”, mantida em cárcere privado e morta pelo ex-namorado, em 2008, e tantos outros que poderiam ser, lamentavelmente, citados.  O ciúme patológico aponta uma questão que requer atenção, por trazer danos e ameaças à vida. Este é um transtorno freqüente nos consultórios psiquiátricos e psicológicos e faz parte de estatísticas preocupantes de causas de homicídio.

 

Como então, perceber que o ciúme já passou do ponto e que pode ter se transformado na “Síndrome de Otelo” ou ciúme doentio?

A pessoa com ciúme patológico experimenta sentimentos ambivalentes: ao mesmo tempo em que “ama” seu parceiro, também o “odeia”, pela idéia obsessiva de que este pode tornar-se autor de seu sofrimento (perda), o que aumenta a probabilidade de comportamentos disfuncionais (normalmente de controle excessivo) e, muitas vezes, agressivos, no sentido de neutralizar o temido abandono. Comportamentos de verificação constante, que invadem a privacidade do parceiro, como mexer em pertences pessoais (carteiras, bolsos de roupas, anotações); vasculhar com frequência a página da rede social, na tentativa de encontrar algum indício de possível traição; ler mensagens pessoais no celular ou procurar números desconhecidos no aparelho para verificar se surgiu alguém “diferente”, podem indicar sinais de ciúme patológico e requerem atenção especial. O quadro de ciúme doentio pode estar presente também em outros transtornos psiquiátricos como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), pela idéia obsessiva de traição e rituais de verificação, Transtorno Paranóide ou em quadros de Alcoolismo.

É necessário lembrar que o ciúme comum, mantido histórica e culturalmente para a preservação da espécie, serve para proteger a relação, enquanto o ciúme patológico é nocivo, caracterizado pela necessidade de controlar e possuir a outra pessoa, o que, inevitavelmente, leva ao sofrimento de ambos os parceiros. O ciúme excessivo leva ao rompimento dos laços pelo desgaste constante, imposto na tentativa da manutenção da relação a qualquer custo.

Qualquer relação que desenvolva sentimentos de dependência extrema termina por passar do ponto. É necessário que, por mais que se ame o companheiro ou companheira, sejam cultivadas e preservadas as características individuais que, em determinado momento da relação, serviram como estímulo para a conquista. Promover a autoestima, oportunizando-se cuidados próprios e a valorização constante do papel que se ocupa na relação, facilita a manutenção de relacionamentos mais duradouros e felizes, afinal não é possível cuidar do outro sem o cuidado próprio. Pouco podemos oferecer quando nossa autoestima está fragilizada e nos sentimos, portanto, inseguros e desgastados. O indivíduo que se torna dependente de uma relação amorosa para sobreviver, termina por perder o principal elemento que nos fortalece contra as adversidades, próprias do cotidiano: o amor próprio, e deixa de contribuir de forma efetiva para o bem de qualquer relação.

Referências Bibliográficas:

Baum, W. M. (2006). Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. Porto Alegre: Artmed.

 

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP Principal (06/93349)

São Paulo/SP

 

O conteúdo do texto é informativo e não substitui a terapia realizada em consultório.

 

 

Por que nos encantamos com novelas, seriados e filmes?

March 3rd, 2012 by tatiberta No comments »

 

Ao ler tantos comentários, postados em redes sociais, lamentando o final da novela das 18h, chamaram-me atenção os motivos que levam muitas pessoas a ficarem ligadas à telinha, durante boa parte de seus dias, por meses…

Independentemente de discorrer a favor ou contra assistir novelas, “A Vida da gente”, de forma especial, parece ter sido criada e desenvolvida com tamanha delicadeza e sensibilidade, que podiam ser notadas na riqueza de detalhes, desde a vestimenta de cada personagem até a tentativa de trabalhar de forma coerente e possível os conflitos humanos. Chama atenção, por exemplo, o cuidado de a personagem central sempre estar vestida com uma peça em tons de vermelho, o que poderia nos remeter às sensações de entusiasmo pela vida, pela paixão e pelo amor.

Ao observarmos como as pessoas se comportam (e aqui me refiro ao telespectador que acompanhou o folhetim), entendemos que para todo comportamento há uma função, caso contrário deixaria de existir. Portanto, o comportamento “assistir novela” pode ter relação com necessidades próprias, formadas na história de vida individual.  Sonhos que deixamos de viver, respostas que deixamos de dar e atitudes que deixamos de tomar podem ser, de alguma forma, revistas em papéis de personagens, que poderiam ser qualquer um de nós.  Imaginar-se na situação do personagem, dentro de um ambiente seguro – nossos próprios lares – pode evocar bem-estar, uma vez que, durante um período determinado de tempo, temos a sensação de estarmos no controle: podemos julgar, torcer  e até mesmo decidir pelo destino de cada um, como se fosse o nosso próprio. Embora a maioria das pessoas saiba que o curso de suas vidas é determinado, em grande parte, pelas conseqüências de suas escolhas, muitas acreditam serem vítimas do que chamam de “destino”.  No momento da novela, a idéia de “destino”, no entanto, pode assumir outro sentido, tornando-se algo mais “concreto” e previsível: entendemos e esperamos que a maior parte dos personagens seja agraciada pelo autor com um final feliz, o que alimenta nossas expectativas de acompanhar esse processo. Para muitos, aos poucos, assistir a novela, pela sensação de bem-estar que proporciona, vai tornando-se um hábito e ocupando parte da vida como compartilhar a presença diária de um amigo próximo, por quem se tem carinho e com quem se pode contar.

O final da novela pode evocar, desta forma, em algumas pessoas, sentimentos de tristeza, não pela perda do folhetim exibido diariamente, mas pela função que este passou a ocupar na vida. Portanto, é necessário o entendimento de que tudo passa e de que é possível manter os mesmos objetivos, quaisquer que sejam, por diversos meios. Se a função de “assistir determinada novela” era a de identificação com os personagens, é necessário aceitar a “perda” dos antigos para dar lugar aos novos, que sempre surgem, como ocorre, inevitavelmente, na vida real. Se a função era outra, como a de “sentir-se acompanhado”, é possível desenvolver comportamentos alternativos que cumpram o mesmo papel e que, aos poucos, se tornem hábito, como matricular-se em algum curso que ocorra no mesmo horário, fazer as compras do dia, passear com o cachorro ou até mesmo começar a assistir outro programa ou a próxima novela. Tudo depende da vontade e da necessidade de cada um.

Alguma semelhança entre novela e vida real? Toda, não é? Para continuarmos a viver é necessário, desde muito cedo, aprendermos a lidar com as frustrações, que pode ser desde a perda da chupeta ou a de um animalzinho de estimação até a de um ente querido. Situações de tristeza por perda no cotidiano são muitas vezes desvalorizadas e até mesmo criticadas por quem não atribui ou compreende o valor do que foi perdido para quem a vivencia. No entanto, cada experiência passada auxilia na construção da história de vida individual e serve como treino precioso para lidarmos com importantes conflitos. O importante e esperado é que se continue a caminhar sempre. Frustrar-se faz parte da vida: da vida da gente!

 

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP Principal (06/93349)

São Paulo/SP

 

As opiniões expressas pela autora são de ordem pessoal e não substituem a terapia realizada em consultório.